Um programa de melhoramento genético de búfalos começou a utilizar biotecnologias reprodutivas em propriedades atendidas pelo Projeto de Pecuária do Sebraetec Amazonas. Entre as participantes está a Fazenda Beatriz, em Itacoatiara, onde o trabalho busca ampliar a produção leiteira mantendo as atuais condições de área e manejo.
Segundo informações do Sebrae Amazonas, o programa é pioneiro no estado e vinha sendo planejado havia pelo menos três anos. Uma das principais etapas desse período foi a identificação de genética adaptada às condições regionais, com seleção de doadoras voltadas à geração de descendentes com maior capacidade de lactação e ganho de peso.
O trabalho também procura elevar a produtividade por animal, reduzindo a necessidade de novas áreas de pastagem e buscando maior produção por hectare. O projeto conta com apoio da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB).
Algumas propriedades amazonenses já dispõem de búfalas selecionadas tanto para produção de carne quanto de leite. A adoção de biotecnologias reprodutivas entra como ferramenta para multiplicar a genética dessas fêmeas e acelerar os ganhos obtidos no rebanho.
Entre as técnicas previstas está a transferência de embriões (TE), que permite ampliar o número de descendentes de doadoras com características zootécnicas selecionadas. De acordo com o Sebrae, a ferramenta pode reduzir em décadas o período necessário para alcançar determinados avanços no melhoramento dos plantéis.
Na Fazenda Beatriz, o criador Renato Silva Pessoa trabalha com búfalos há dez anos na região de Novo Remanso. A propriedade concentra a produção na fabricação de queijo coalho de búfala e na comercialização de novilhos precoces para abate.
A adesão ao programa tem como foco o desempenho produtivo do rebanho. “Nosso principal objetivo é melhorar geneticamente o plantel e aumentar significativamente a produção de leite nas mesmas condições de área e manejo. É uma combinação de genética, tecnologia, manejo e sustentabilidade para elevar produtividade e rentabilidade”, afirma o criador Renato Silva Pessoa.
Pessoa também vê nas biotecnologias uma forma de reduzir o tempo necessário para obter avanços no rebanho. “Acreditamos que essas ferramentas podem acelerar o melhoramento e produzir animais mais produtivos. Queremos também compartilhar esse aprendizado com outros pecuaristas do Amazonas e de outras regiões do Brasil”, acrescenta.
O programa também considera os efeitos do melhoramento sobre a cadeia de derivados de leite de búfala, especialmente a produção de queijos. As próximas etapas incluem a continuidade dos protocolos reprodutivos e o acompanhamento dos resultados obtidos nos animais gerados. //Nestor Tipa Júnior

