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Caprichoso anuncia “Criação Que Vem da Alma” como tema para a temporada 2027

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Parintins (AM) – A arte que nasce das mãos, ganha forma na cultura e encontra morada na alma de um povo será a condutora da temporada 2027 do Boi-Bumbá Caprichoso. Com o tema “Caprichoso: Criação Que Vem da Alma”, o Touro Negro propõe uma jornada pelas raízes, memórias e tradições que compõem a identidade local e alimentam a genialidade artística no Festival de Parintins.

Elaborado pelo Conselho de Arte, o projeto posiciona o povo parintinense como a principal origem da criação azul e branca. A narrativa baseia-se na força de homens e mulheres, nos saberes compartilhados entre gerações, na herança indígena e africana e no cotidiano comunitário da ilha.

Raízes e memória afetiva

O enredo reúne elementos centrais da vivência popular: quintais, brincadeiras de infância, religiosidade, os encantados da floresta e os sons da natureza. Essas experiências traduzem-se em música, dança, escultura e pintura na arena.

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Segundo o presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, o tema promove uma reflexão sobre a gênese criativa de Parintins:

“A criação do Caprichoso vem de dentro, da nossa alma e da nossa ancestralidade. É fruto da mistura de povos indígenas, negros e quilombolas, que construíram a identidade de Parintins. O boi representa o saber e o fazer do artista parintinense, essa criatividade que encanta e conquista por onde passa. É uma expressão da nossa cultura, da nossa história e do nosso orgulho. E vamos levar toda essa poesia e alegria para buscar o bicampeonato em 2027, se Deus quiser.”

Planejamento da diretoria

Para o presidente do Boi-Bumbá Caprichoso, Diego Mascarenhas, a temporada reforça o compromisso de valorizar a classe artística e aproximar a agremiação de seus torcedores.

“Mesmo com pouco mais de 45 dias de gestão, já estamos dando início à temporada 2027. Estamos com muita força, união e uma equipe comprometida, formada por artistas, trabalhadores de alegorias, indumentárias e todos os segmentos do Caprichoso. Em 2027, vamos levar à arena a força de uma criação que tem origem na alma do povo de Parintins.”

O vice-presidente Edwan Oliveira destacou o aspecto integrador do projeto:

“Hoje, estamos celebrando nossa história, reencontrando nossa gente e apresentando ao torcedor a inspiração que vai conduzir o Caprichoso em 2027. Queremos que cada brincante se reconheça nesse tema, porque essa criação também pertence a ele. O Caprichoso é feito de pessoas, de histórias e de amor. E é com essa energia que vamos iniciar mais uma temporada.”

Celebração de 113 anos no Curral Zeca Xibelão

O lançamento do tema integrou as comemorações de 113 anos de fundação da agremiação, realizadas no Curral Zeca Xibelão com transmissão pela TV A Crítica. Na ocasião, o presidente Diego Mascarenhas apresentou a composição do Conselho de Arte, os figurinistas e os artistas de alegorias para o triênio 2027–2029.

A noite contou com apresentações individuais dos itens oficiais:

  • Patrick Araújo (levantador de toadas), que interpretou a toada “Brinquedo Que Canta Seu Chão”;
  • Marciele Albuquerque (cunhã-poranga);
  • Valentina Cid (sinhazinha da fazenda);
  • Edmundo Oran (apresentador);
  • Caetano Medeiros (amo do boi);
  • Erick Beltrão (pajé);
  • Marcela Marialva (porta-estandarte);
  • Edson Junior e Alexandre Azevedo (tripas do boi).

O encerramento ficou a cargo de Edilson Santana, levantador de toadas histórico da agremiação no início dos anos 2000.

Caprichoso Anuncia “Criação Que Vem Da Alma” Como Tema Do Bicampeonato (1)
Caprichoso Anuncia “Criação Que Vem Da Alma” Como Tema Do Bicampeonato (2)
Caprichoso Anuncia “Criação Que Vem Da Alma” Como Tema Do Bicampeonato (3)
Caprichoso Anuncia “Criação Que Vem Da Alma” Como Tema Do Bicampeonato (4)

Sinopse oficial: Caprichoso: Criação Que Vem da Alma

“É das mãos do povo de Parintins que nasce a nossa maior criação, estrela tecida pelas mãos de uma comunidade, esculpida pela floresta e mergulhada nas águas barrentas da Amazônia. Mãos calejadas pela labuta diária de mulheres e homens que resistem desde os primórdios nesse grande território, vivendo a filosofia sagrada do bem viver e produzindo cultura por saberes e fazeres que se modificam de tempo em tempo, de geração em geração.

Esse saber do povo traduzido num brinquedo coberto pelo escuro couro iluminado por uma estrela brilhante azul é a essência mais profunda de tudo aquilo que nos constitui enquanto comunidade. É a nossa ancestralidade dos tantos povos indígenas que criaram essa gigante floresta de negros que nutriram esse chão com suor da sua luta, são os sonhos de curumins e cunhatãs que plantaram seus anseios na esperança do tempo para se tornarem os grandes artistas do hoje.

São as memórias dos rostos cansados e das testas franzidas daqueles que muito brincaram com este boi no calor da fogueira, gingando entre fagulhas e cantando no aroma estonteante das madeiras em brasa.

São as idas e vindas, as chegadas e partidas, de barcos e navios que deixaram na ilha as muitas misturas dessa gente, nordestinos, italianos, japoneses, franceses, judeus, fortalecendo entre o fazer e o pensar outras formas de construir cultura.

É o mistério guardado no silêncio dos quintais, na beira do rio, nas trilhas e estradas que cortam os beiradões da ilha, onde os encantados nos observam escondendo a pura essência de ser parintinense.

É o murmúrio das aves noturnas, o coaxar dos sapos que vazam entre as brechas das paredes das nossas casas, nas orações e ladainhas no debulhar do terço ou no vibrar do atabaque, no alimentar da cura do tajá-onça com água de carne para a proteção da casa, essência mais profunda de nossa fé.

São as ensinanças herdadas de pais e avós que guardavam dentro de si os dias bons para o plantio, as melhores horas para a pesca, palavras para dizer e esconder, horários para guardar ou para viver, bênçãos proferidas na boca da noite, quando o ressoar do rádio anunciava a Ave-Maria.

É o ventinho gelado que atravessa o peito, correndo nos terreiros e ruas, ou varando entre as cercas da vizinhança para pegar manguinha ou jambo. É o brincar de manja-pega, manjacola, o embiocar do papagaio de papel quedado nas linhas de cerol, o correr com uma velha bola para acertar o rival no jogo de ‘cemitério’ ou nas guerras de curi.

Todas as vivências dessa gente teceram no tempo um relicário que guarda a arte de Parintins num quente abraço de avó cheio de afeto, saudade, força e muito amor, a alma do ser parintinense, o flamejar mais potente da criação do povo de Parintins.

É dessa alma prodigiosa que emerge a arte de Parintins, das esculturas e pinturas de mestres, das toadas que embalam a musicalidade com o rufar africano, o vibrar do maracá indígena, o bater dos pés no chão, o dedilhar andino guardado nas notas do charango, a marcação e expressividade de uma dança que traduz a ancestralidade dos nossos corpos.

Essa genialidade gestada por um povo que fez da arte sua luta, impressiona cientistas e pesquisadores, arrebatando os corações do povo do norte do brasil e tornando-se a maior bandeira de revolução da Amazônia.

É o Caprichoso, o boi do povo, das lutas, do afeto, da ternura das crianças e da garra dos bravos paikicés, da batida forte do treme-terra e da leveza da poesia da toada. É a manifestação viva da essência de um povo. É o Caprichoso: Criação Que Vem da Alma.”

Conselho de Arte do Boi-Bumbá Caprichoso

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