Tradição, Fé, Devoção e Arte

O pároco da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, Rui Canto, comenta sobre a religiosidade do povo parintinense.

Segundo a história, a Igreja Católica de Parintins foi muito influente para a disputa dos bois Caprichoso e Garantido através da Juventude, Alegre Católica (JAC), com os bois surgindo de uma promessa a São João Batista através de Lindolfo Monteverde (Garantido) e dos irmãos João Roque, Felix e Raimundo Cid (Caprichoso), segundo afirmam Odineia Andrade, Maria Inácia e Maria do Carmo Monteverde.

Histórias são narradas, representadas, dramatizadas e coreografadas todos os anos na arena do Bumbódromo com apresentação de esculturas gigantes de santos que fazem parte da fé do caboclo da Ilha, através das mãos dos nossos artistas, como: São João, São Pedro, São José, São Benedito, Santo Antônio e Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Outros exaltam as manifestações católicas com lindas canções (toadas), podendo citar: São Benedito (Garantido) do compositor Chico da Silva, Amazônia Catedral Verde (Caprichoso) de Ronaldo Barbosa, Romaria das Águas (Garantido) de autoria de Ciro Cabral, Boi de Santo (Caprichoso) de Simão Assayag. Barro, Fé e Catedral (Caprichoso) dos compositores Silvio Camaleão, Neil Armstong e Simão Assayag que retrata o início da construção da catedral, relembrando nomes de Irmão Miguel, Padre Augusto e Dom Arcângelo Cerqua.

“É um momento que nós artistas manifestamos através de esculturas, peças, quadros e trabalhos voluntários a nossa fé pela palavra chamada gratidão por toda interseção, livramento, pelo dom da arte, por toda sabedoria que pedimos a ela para que seu filho possa nos dar”, destaca o artista do boi Caprichoso Juarez Lima, idealizador da Romaria das Águas e responsável da confecção do andor de Nossa Senhora do Carmo para os festejos que acontece no mês de julho na cidade.

Sobre as demonstrações de fé na arena do Bumbódromo, o pároco da Catedral Pe. Rui Canto, ressalta que “a religiosidade de um modo geral está enraizada no nosso povo. Eu entendo que quando os bois começaram a introduzir de forma mais efetiva a temática religiosa nas apresentações, nada mais é do que a expressão que estar no coração, na veia, na alma do povo parintinense em demonstração de amor e fé aos santos católicos, em especial, a mãe de Jesus, Nossa Senhora do Carmo”.

Perguntado sobre a preferência de cor, Pe. Rui afirma que “sou parintinense. É impossível um parintinense não ter uma certa preferência e como morei na Baixa de São José, alimentamos essa torcida pelo boi vermelho e branco, do Boi Garantido. Acompanhando meus familiares na década de 80, tive uma pequena participação na festa como torcedor”. Rui Canto anos mais tarde, se tornou padre, tendo sua ordenação no dia 08 de janeiro de 2000.

A Romaria das Águas, criação do artista Juarez Lima, já faz parte dos festejos em honra a Nossa Senhora do Carmo.

Kedson Silva/JI

Fotos: Arquivo JI/facebook

https://www.ojornaldailha.com/tradicao-fe-devocao-e-arte/

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