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O maior acidente rodoviário de Itacoatiara/Amazonas que resultou em 39 corpos deformados por piranhas completou 42 anos

Era madrugada do dia 14 de novembro de 1976, quando o corpo de bombeiros do Amazonas foi acionado para um resgate na rodovia AM-010, que liga a capital Manaus a outros municípios amazonenses. À época, os desafios geográficos e de estrutura da Amazônia, ainda maiores que os de hoje, atrasaram a chegada dos bombeiros. Na chegada, os profissionais se depararam com uma multidão que tentava entender o que havia acontecido. Um ônibus estava completamente submerso no rio Urubu. Quando retirado o cenário era comparável a de um filme de terror: 39 pessoas morreram dentro daquele veículo e partes dos corpos haviam sido devoradas por piranhas.

A maior tragédia rodoviária do Amazonas

Na noite do dia 13 de novembro de 1976, um sábado, passageiros se preparavam para embarcar em um dos ônibus que sairia de Manaus com destino à cidade de Itacoatiara, um dos principais municípios amazonenses. Entre os veículos, o de numeração 0546 da empresa Soltur (Solumões Transporte e Turismo), dirigido por José Aurélio Duarte, e no atendimento, a rodomoça Maria de Lurdes Moreira da Silva. Ainda no terminal, o jornalista Carlos Costa, estava indo a trabalho para a “Velha Serpa” – nome de origem portuguesa que a aldeia de Itacoatiara recebeu em 1759, quando passou à categoria de Vila -, com a missão de cobrir as eleições municipais do dia 15 de novembro daquele ano. Enquanto aguardava o horário de partida foi abordado por um casal que desejava trocar de ônibus e chegar mais rápido ao destino, para celebrar o casamento, em lua de mel.

“Eu ia no ônibus que era a novidade na época. Naquela noite, um casal me abordou, pois queriam ir em lua de mel juntos e não tinha mais lugares disponíveis no “frescão” (ônibus com ar-condicionado), até que me convenceram e cedi meu lugar para eles, então fui no outro ônibus, que sairia pouco depois”, conta o jornalista, em entrevista à equipe do Portal Amazônia, em Manaus.

Motorista no volante e rodomoça na recepção para embarque dos 42 passageiros no “frescão”, modelo Marcopolo III, que deixaria o terminal de Manaus por volta da 00h. Entre os passageiros, o mecânico Dirceu de Araújo, que ocupava uma das últimas poltronas nas fileiras finais do veículo, além do sargento da aeronáutica Elísio Araújo, sua esposa Altariza Alencar, e suas filhas, Edmea, Eliete e Elisangela Soares de apenas 6 meses de vida.

Por causa da segurança, e a preocupação de não querer deixar sua casa em Manaus sozinha durante o feriado prolongado de Proclamação da República, a família do sargento Elísio não estava completa no ônibus. O pai que já tinha comprado passagens para ele, esposa, as três filhas e os dois filhos, resolveu vender as passagens dos filhos, Altevir Alencar e Elísio Júnior.

“Toda a família ía para Itacoatiara, mas de última hora papai nos perguntou se ficávamos tomando conta da casa, meu irmão e eu, e ficamos. Por volta das 11 e meia da noite, eles saíram para ir à rodoviária, pois o ônibus sairia meia noite. Durante a noite, tudo normal, mas por volta das quatro da madrugada, meu irmão teve um sonho com nossa irmã mais velha. No sonho, ela tentava contar outro sonho pra ele, mas não conseguia, acabava desmaiando. E desde essa hora não conseguimos mais dormir, porque ele me acordou, pois tinha ficado muito impressionado com o sonho”, conta emocionado, o radialista Elísio Júnior, em entrevista à equipe do Portal Amazônia que esteve em Itacoatiara no mês de julho.

Leia a reportagem completa de William Costa no Portal Amazônia aqui.

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