Moradores da zona rural de Parintins acham urna funerária de mil anos no quintal de casa

(Foto: Divulgação)

Uma urna funerária indígena a qual pesquisadores estimam ter entre 1 e 1,3 mil anos foi encontrada por moradores da comunidade rural Santa Rita, localizada a 52 km da sede do município de Parintins, na última semana. A identificação do material arqueológico encontrado pelos comunitários foi divulgada, nesta segunda-feira (6), por um grupo de pesquisadores do Centro de Estudos Superiores da Universidade do Estado do Amazonas (Cesp/UEA).

O material foi encontrado na região da Valéria, ponto turístico de Parintins (a 369 km de Manaus), foi achado pelos moradores enquanto trabalhavam em uma obra no quintal de uma casa. A região é reconhecida pelo Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como sítio arqueológico.

Em nota enviada à imprensa, o Grupo de Pesquisas em Educação, Patrimônio, Arqueometria e Ambiente na Amazônia (Gepia), formado por professores e alunos do curso de História do Cesp/UEA, explicou que a urna era utilizada para o sepultamento de entes indígenas que residiram na região por volta do ano 1.000.

“Desta forma, o que foi encontrado é um vasilhame cerâmico capaz de abrigar uma pessoa adulta em posição fetal, contudo conforme observamos o achado, o crânio foi colocado abaixo e as demais partes acima, sendo que hoje observa-se os ossos sobrepostos ao crânio, um dos modos que muitos indígenas no passado sepultavam seus mortos”, diz trecho do comunicado.

Para a professora do Cesp/UEA Clarice Bianchezzi, que é doutoranda em Antropologia/Arqueologia na Universidade Federal do Pará, a descoberta dos comunitários é de extrema importância pelas condições em que estão o material.

“Os ossos estão intactos. A datação vai nos dar precisão, mas a urna é de uma ocupação que remonta a antes do contato do europeu com a América e dos portugueses na Amazônia. O material é muito importante historicamente e arqueologicamente para Parintins. Eu conheço outros achados no município, mas esse é o único em condições de se fazer a datação”, explicou Bianchezzi em entrevista.

De acordo com a professora, a base da urna funerária foi encontrada enterrada a cerca de 85 cm da superfície, algo que, segundo pesquisas, remonta ao costume de sepultamento indígena. Os pesquisadores visitaram a comunidade de Santa Rita após um morador da região procurar o Cesp/UEA para ser orientado sobre o que fazer com o achado.

“Eles sabiam que era um material de valor arqueológico e precisavam de uma orientação sobre o que fazer. No último sábado, nós visitamos o local. O material estava sobre uma mesa, desprotegido do ponto de vista arqueológico, mas nós embalamos ele para protegê-lo da desfragmentação e da contaminação, que pode prejudicar a datação”, contou Clarice.

Apesar da formação, os pesquisadores não possuem autorização para retirar a urna funerária da comunidade e ela permanece no local sendo guardada pela família que a encontrou.

O Iphan já foi comunicado do encontro de material arqueológico. Os pesquisadores de Parintins buscam apoio financeiro para junto com o Museu Amazônico (Musa) realizar projeto de pesquisa e a datação da urna funerária.

Recomendação

Diante do encontro da urna funerária no quintal de uma casa, na nota enviada à imprensa, o Gepia orientou os moradores sobre como proceder ao localizar materiais arqueológicos.

“A recomendação que deixamos à sociedade parintinense é que ao localizar materiais arqueológicos (cerâmica, ossos, moedas, etc.) que os moradores não retirem o mesmo do solo, pois o solo mantém o material protegido e em condições para futuras pesquisas. Que ao localizar estes materiais nos procurem na UEA/CESP ou comunique ao Instituto de Patrimônio Histórico Nacional – IPHAN, em Manaus, para um arqueólogo possa retirar o material do solo de forma segura evitando que o mesmo quebre ou esfarele”, recomendou o grupo.

Vitor Gavirati/Manaus (AM)/acrítica.com

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