sexta-feira, abril 4, 2025
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Tradição e Modernidade: O encanto do mercado de Parintins

Às margens do rio Amazonas, o Mercado Municipal Leopoldo Amorim das Neves é um dos pontos mais visitados por turistas durante o período do Festival de Parintins. Um santuário de memórias, cheiros e sabores que contam a história de seu povo.

Inaugurado em 1937, com sua mais recente revitalização em 2019, o mercado se modernizou, ganhou nova estrutura, mas não perdeu sua essência. Transformou-se em uma mistura de estilo arquitetônico típico da “Amazônia colonial” com a modernidade da arquitetura contemporânea.

Em 2025, o logradouro público completa 88 anos, e seus corredores guardam lembranças da época de sua inauguração, como o suporte das balanças vindas dos Açores, em Portugal.

Remédios da Floresta – O Saber que Resiste

Nos cantos do mercado, entre os antigos boxes que comercializam peixe fresco e as bancas de frutas, ainda há espaço para o conhecimento ancestral. Garrafadas e banhos de ervas prometem equilíbrio espiritual e cura para os males do corpo. Aroeira, unha-de-gato, quina-da-mata, saracura-mirá — nomes que soam como poesia e ciência ao mesmo tempo. São saberes antigos que resistem à lógica da farmácia industrializada.

Os olhos de quem vende brilham ao explicar cada preparo, cada segredo escondido nas folhas e raízes. O mercado é, assim, um laboratório vivo da medicina tradicional amazônica, um espaço onde a floresta e a cidade dialogam, onde a sabedoria dos mais velhos ainda encontra espaço para ser ouvida.

Os mesmos corredores ainda conservam o que há de mais genuíno na cultura amazônica: o aroma das ervas medicinais, os sabores intensos do tucupi e a doçura do mel silvestre colhido pelas mãos experientes dos ribeirinhos. Até mesmo produtos afrodisíacos mexem com o imaginário popular.

Fernando Pereira mostra os produtos mais comercializados durante o Festival de Parintins. Foto: Malu Verçosa.

No boxe do “Seo Vivaldinho”, Fernando Pereira, há mais de 20 anos, comercializa produtos regionais que vão do artesanato aos medicamentos naturais. Sorridente, ele exibe os itens que fazem sucesso durante o Festival de Parintins. “O jumentinho e o Viagra (mirantã) são os que mais fazem sucesso”, conta ele, enumerando ainda o perfume do boto, da bota e a maca peruana.

Sabores que Contam Histórias

Quem visita o Mercado Leopoldo Neves não pode sair sem experimentar o pão com tucumã. Simples e profundo, ele é a síntese da Amazônia: um fruto que nasce no alto das palmeiras, colhido com esforço e servido com queijo coalho derretido no pão quentinho. No tradicional X-Caboquinho, a banana frita se junta ao tucumã e ao queijo, criando um equilíbrio perfeito entre texturas e sabores. É mais do que um café da manhã; é uma cerimônia silenciosa que conecta gerações.

Dona Francisca trabalha no mercado há mais de 30 anos.

No boxe do “Seo Danga”, dona Francisca Machado, 60, vivencia a expectativa da chegada do Festival, quando suas vendas triplicam. Ela também aproveita para tietar os famosos que visitam o local. Dona Francisca dedica metade de sua vida a fazer café para seus clientes no mercado. Uma memória viva e apaixonada por um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade. “Sucos naturais e X-Caboquinho são o que mais as pessoas procuram durante o Festival. Do meu trabalho, eu gosto; a gente tanto vende como se diverte”, conta ela.

O mercado abriga uma riqueza gastronômica que vai além do pão. Há tapiocas recheadas com tucumã, castanhas crocantes, mingaus espessos que confortam a alma e sucos de frutas típicas como cupuaçu e acerola. Cada item vendido ali carrega uma história, um modo de fazer transmitido de pais para filhos, um saber que desafia a pressa da vida moderna.

Lugar Obrigatório na Rota do Festival de Parintins

Se o Festival de Parintins é o palco da celebração, o mercado é o bastidor da tradição. Quem quer sentir a verdadeira essência de Parintins precisa começar sua jornada por aqui, entre os cheiros de tucupi e café passado na hora, entre o calor do pão com tucumã e a brisa vinda do rio. Na correria do maior espetáculo da Floresta, onde tudo acontece em ritmo acelerado, o Mercado Leopoldo Neves convida para uma pausa. É um ponto de equilíbrio entre o passado e o presente, entre o barulho das toadas e o silêncio dos saberes antigos.

Porque, no fim, modernizar não significa esquecer. E o Mercado Leopoldo Neves é a prova viva de que tradição e progresso podem caminhar lado a lado.

Texto: Carlos Alexandre e Malu Verçosa
Fotos: Malu Verçosa

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