Parintins

Garantido abre última noite celebrando a liberdade do povo

PARINTINS, AM – 29/06/2019 – APRESENTAÇÃO DO BOI BUMBÁ GARANTIDO NA SEGUNDA NOITE DO 54º FESTIVAL FOLCLÓRICO DE PARINTINS. FOTO: JAIR ARAUJO/ACRÍTICA

Boi da Baixa fecha sua participação no Festival de Parintins 2019 exaltando sua história e apresentando ritual dos índios Palikur (Foto: Jair Araujo)

Abrindo a terceira noite, a que encerra o Festival Folclórico de Parintins 2019, o Boi do Coração na Testa trará “Garantido: o Boi da Liberdade do Povo” em suas várias nuances, mas sempre lembrando da história e significado de seu criador, o pescador, neto de negros escravizados e juticultor Lindolfo Monteverde. E de que o ser livre luta contra todas as formas de opressão porque entende que o ser oprimido não se alegra, não canta a felicidade porque é infeliz. Já no Garantido, pelo contrário, a dança, as toadas, as alegorias e o canto do Boi são manifestações de lutas, das alegrias e da liberdade expressas no ser artístico.

Na Celebração Folclórica “Sonhos de Liberdade”, a associação relembra do terreiro da mãe de Lindolfo, Alexandrina Monteverde, a “Dona Xanda”, que ficava localizada na Baixa do São José, berço da tradição do Garantido. O Boi vai reverenciar e celebrar a cultura popular numa grande festa de liberdade criativa do povo, em um cenário no qual o folclore está impresso na beleza das cores e em esculturas fantásticas que amparam a representação das brincadeiras de boi no Brasil. Preparem-se para ver toda a genialidade do genial Mestre Jair Mendes, que criou, em parceria com o também artista de ponta Vandir Santos e equipe, uma estrutura alegórica de 19 metros de altura, com colossais 31,25m de boca de cena e 10 módulos, que vão trazer 100 dançarinos de Manaus das companhias de dança Gedan, Alta, Experimental, Pesquisa de Dança e Síria. Para embalar toda essa beleza, a toada clássica “Sonho de Liberdade”, de Chico da Silva, Tadeu Garcia e Roseane Nôvo.

“Wadye, Devorador de Cunhãs” será a Lenda Amazônica nesta terceira noite, numa recriação da lenda da tribo indígena kamakã, que habitou vários trechos da Amazônia Legal e depois se dispersou. O mito do monstro Wadye foi repassado em 1938 por uma índia anciã, remanescente da tribo, Jacinta Grayira, última descendente dos Kamakã. Wadye é associado ao branco colonizador que ataca as aldeias, rouba suas terras, suas mulheres e desvirtua suas crenças. Na lenda, a cunhã-poranga abranda a fúria do monstro com o poder da sua beleza tocando as suas mãos no coração do monstro, que se torna dócil, e a liberta. A representação vai mostrar que, sob o olhar perplexo da tribo, e muitas comemorações, Wadye caminha com a cunha-poranga até colocá-la no chão do terreiro da aldeia.

“O Caboclo” amazônico será o grande personagem da Figura Típica Regional da terceira e última noite do Boi Garantido. Resultado os primeiros 200 anos da ocupação europeia, ele é o biotipo original da mistura do índio e do branco colonizador.

O ritual que vai encerrar a participação do Boi Garantido é “Palikur, o Triunfo da Luz”, abordando a transcedência dos índios Palikur, do Norte da foz do Amazonas, que acreditam na relação entre o mundo terrestre visível e o mundo celeste sobrenatural.

E é pedindo forças aos seres que o Garantido vai em busca de mais um campeonato em sua galeria de vitórias.

Paulo André Nunes/PORTAL A CRITICA

https://ojornaldailha.com/garantido-abre-ultima-noite-celebrando-a-liberdade-do-povo/

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