Em média, por dia, pelo menos uma mulher procurou ajuda no programa de enfrenta (Foto: Divulgação/Agência Brasil)

Manaus – No primeiro semestre deste ano, 59 casos reincidentes de crimes de violência doméstica foram registrados pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), conforme dados disponíveis no portal de informações governamentais (E-siga). Em todo ano passado, ainda segundo a secretaria, 94 mulheres foram atendidas pelo Centro Estadual de Referência de Apoio à Mulher (Cream).

Após a denúncia de espancamento, segundo a juíza titular do 2º Juizado Especializado no Combate à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, Luciana Eira Nasser, é comum que as mulheres agredidas retornem ao convívio com os companheiros. Nasser explicou que é recorrente que as mulheres retirem a medida protetiva, que impede o agressor de se aproximar da vítima.

De acordo com a juíza, faz parte do ciclo ainda que, depois da denúncia à delegacia, haja um período de paz.

“A grande maioria dos casos continua o relacionamento com o agressor. Elas procuram a delegacia naquele momento de desespero, mas depois acreditam que aquele companheiro vai mudar porque viu que, desta vez, ela foi e denunciou ele”, disse a magistrada.

Em média, por dia, pelo menos uma mulher procurou ajuda no programa de enfrentamento à violência contra a mulher, conforme apontou os dados da Sejusc, neste primeiro semestre. Mas para a juíza, para encerrar os casos de agressão reincidentes é preciso trabalhar de forma imediata também o agressor.

“Nosso objetivo ali não é desfazer família, até porque têm vínculos, têm uma história de 20, 30 anos. Precisa-se trabalhar mais um agressor, no momento da medida protetiva deveria trabalhar aquela vítima e também o agressor. Inclusive a maioria não se enxerga como agressor e como vítima. Muitos questionam o motivo de estarem como réus, dizem que tem muito de bandido e questionam o que estou fazendo ali”, afirmou a juíza.

Embora a medida protetiva possa ser retirada a pedido da mulher, o processo penal independe da vontade da vítima, conforme explicou Nasser. Segundo ela, o retorno ao convívio, muitas vezes atrapalha o curso do processo.

“Pode atrapalhar, porque elas dizem que se bateram sozinhas, que o companheiro não tem nada a ver. E é muito difícil conseguir provas desses casos sem ajuda da vítima”, disse.

Tramitação

O Amazonas, até março deste ano, era o Estado da Região Norte com mais processos em trâmite referentes à violência doméstica. São 33.340 processos em trâmite no Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM) acerca do tema. O levantamento foi divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base em dados informados pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), por ocasião da 7ª edição da semana ‘Justiça pela Paz em Casa’.

O post Violência doméstica tem alta reincidência no Amazonas apareceu primeiro em D24am.

Fonte: http://d24am.com/amazonas/violencia-domestica-tem-alta-reincidencia/

SEM COMENTÁRIO

Deixe uma resposta