Totó – Por Valdir Fachini

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Era uma linda manhã primaveril, os pássaros cantavam alegremente no florido jardim, borboletas sobrevoavam suavemente entre as flores misturando com elas seu voar colorido, nas praças a petizada corria serelepe de um lado para o outro, sorrindo e brincando num sonho pueril.
(Obs. isso não é um conto de fadas eu só estou enchendo linguiça) agora vamos voltar a realidade.

Já era quase onze horas de um domingo de outubro, eu estava com a cabeça doendo para cacete, numa ressaca depois de um porre que eu tomei no sábado, quando um tonto bateu palmas lá no portão, a mulher tinha ido na missa e eu tive que levantar para atender.

Cinco minutos para espreguiçar, cinco esfregando o olho, cinco para achar o chinelo e mais cinco para mijar e fui atender o infeliz que no caso já tinha ido embora, mas deixou uma caixa de sapato com um filhote de vira-lata mais feio que bater na mãe por causa de mistura.

Nisso a mulher chegou, viu aquele trem e se apaixonou.

Articulista Valdir Fachini (SP)

Adotamos o feinho que foi batizado de Totó. Eu to pra ver bicho mais fiel que viralata, toda vez que eu saia ele ia atrás, ia me seguindo de longe, quando eu olhava pra atrás ele se escondia, eu ralhava com ele mas não adiantava.

Na época eu tinha um quebra galho, pé de cabra, uma amante, ela morava a mais ou menos um quilômetro da minha casa e sempre que eu comparecia o Totó me seguia, sempre do mesmo jeito, se escondendo atrás de poste, saco de lixo ou caçamba, quando eu terminava o serviço ele estava lá me esperando abanando o rabo, meio distante, mas estava lá.

Porém, uma tarde ele não me seguiu, eu andava um pouco e olhava rápido para pegar ele de surpresa, nada, dessa vez ele não me seguiu mesmo.

Cheguei no portão olhei de novo e nada, entrei em casa, fiz o que tinha que fazer e sai.

Quem estava lá na frente me esperando? O Totó e ao seu lado de braços cruzados, …dona encrenca

A esperta prendeu o cachorro antes do meu horário de sair, pouco tempo depois ela o soltou, então foi só seguir o bicho

O resto da história não é preciso que se diga.

A patroa foi para casa da mãe, a amante ficou com vergonha do barraco e mudou da cidade, o Totó a carrocinha pegou e eu fiquei só chupando o dedo.

Mas eu aprendi uma lição que jamais vou esquecer, nunca mais coloco o nome de Totó num cachorro meu.

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