As mais altas instâncias judiciais russas ordenaram ao Telegram, um dos serviços de mensagens mais utilizados no planeta, a cedência da chave de encriptação das mensagens ao Governo de Putin, mais concretamente ao FBI russo, naquela que não deixa de ser uma decisão polémica atendendo à quebra de confidencialidade subjacente a esta decisão.

Segundo a Bloomberg, a empresa que gere a aplicação pretende recorrer novamente dessa decisão. Caso perca o novo recurso, a empresa pode ter que pagar uma multa equivalente a 14 mil dólares e o aplicativo corre o risco de ser bloqueado em todo o território russo – que é o seu maior mercado, com mais de 9,5 milhões de utilizadores. Mesmo assim, segundo o advogado da empresa, o processo ainda deve correr ainda por muito tempo.

Em julho de 2016, o governo russo aprovou uma lei que criava um esquema de vigilância massivo no país. A lei, criada com o objetivo declarado de combater o terrorismo, exige que serviços de mensagem que operam no país dêem às autoridades locais os meios para desencriptar as mensagens enviadas pelos seus utilizadores.

Com esta decisão, o Tribunal exigiu do Telegram as chaves de criptografia dos utilizadores para poder ter acesso às comunicações privadas. De acordo com documentos obtidos pela Bloomberg, o Telegram não acatou as ordens do governo, por considerar que elas violavam direitos constitucionais à privacidade e pelo pedido ter sido feito sem mandato judicial. A empresa perdeu em primeira instância, recorreu da decisão e, agora, perdeu novamente.
A decisão representa, segundo o The Verge, uma ameaça uma das últimas ferramentas de comunicação privada da Rússia. O site considera ainda que ela pode colocar as finanças da aplicação em risco: recentemente, o Telegram levantou mais de US$ 850 milhões vendendo moedas virtuais, e pretende ir ainda mais longe.

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