Reajustes perdem para inflação no Amazonas

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Manaus – Quase 90% das negociações salariais do Amazonas realizadas no primeiro semestre do ano não conseguiram repor a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Segundo o levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na maioria dos acordos, as perdas ficaram na faixa de até 1% abaixo da inflação.

Das seis negociações da indústria analisadas pelo Dieese, a metade perdeu poder de compra e ficou abaixo da alta de preços (Foto: Sandro Pereira)

Mesmo com o pequeno ganho dos trabalhadores, a situação ainda foi melhor em relação ao ano passado. O percentual de reajustes acima da inflação que se mantinha predominantemente estável até 2014 teve queda a partir de 2015 e foi completamente ausente, em 2016, motivado pela crise econômica e gradual aumento dos índices inflacionários. “Os reajustes necessários para repor as perdas salariais foram aumentando e tornando cada vez mais difícil a negociação de reajustes acima da inflação”, destaca o supervisor técnico do Dieese no Amazonas, Inaldo Seixas.

No primeiro semestre de 2017, os reajustes analisados pelo Dieese foram pagos de forma integral, diferentemente do ano anterior, onde somente metade dos acordos foram pagos de uma única vez e se igualando ao mesmo patamar em 2012, 2014 e 2015.

O que se observa é a manutenção da mesma proporção de negociações com reajuste escalonado ocorridos nos três últimos anos. Entre 2013 e 2017, pouco mais de 11,1% das nove unidades de negociação pagaram reajustes de forma escalonada. Em 2012, esse percentual era o dobro, 22,2%. Em 2016 e em 2017 não foram observados pagamento de abonos salariais.

Setores

Das seis unidades de negociação da indústria amazonense, 50% dos reajustes analisados resultaram em perdas salariais reais, enquanto que 33,3% conseguiram repor a variação do INPC e 16,7% obtiveram aumentos reais.

O comércio não teve negociação no primeiro semestre, pois a data-base é no segundo semestre, informou o Dieese.

O setor de serviços apresentou um resultado pior que a indústria, onde os reajustes sem reposição do INPC alcançaram 66,7%, e 33,3% conseguiram apenas repor a inflação.

Entre as atividades acompanhadas pelo Dieese na indústria, somente a categoria dos gráficos se destacou, cujo reajuste foi superior à inflação. Nos serviços, apenas o segmento de segurança e vigilância se destacou, obtendo reajuste com reposição das perdas inflacionárias.

A análise dos reajustes segundo o tipo de instrumento coletivo mostra que não houve reajustes em forma de acordos coletivos, resultantes da negociação por empresas. Quanto às convenções coletivas, ou a negociações por categoria, apresentaram percentuais maiores (55,6%) com reajuste abaixo da inflação contra as que que conseguiram repor a perdas ( 33,3%). Apenas 11,1% conseguiram repor a inflação.

Nacional

No País, os dados revelam mudança no quadro de queda do percentual de reajustes acima da inflação observado nos últimos dois anos. No primeiro semestre de 2017, cerca de 60% dos reajustes resultaram em aumentos reais, 30% tiveram reajustes em valor igual à inflação e 10% registraram perdas salariais, tomando-se por referência a variação do INPC, em cada data-base.

Os reajustes com ganhos reais se concentraram na faixa de até 0,5 pontos percentuais acima da inflação. Foram observados reajustes iguais à inflação em 30% das negociações analisadas. Já os reajustes com perdas reais correspondem a 10%. Mais da metade destes resultou em perdas de até 0,5 pontos percentuais abaixo da inflação.

A variação real média dos reajustes no primeiro semestre de 2017 foi de 0,32%, voltando a ser positiva após a perda real média observada em 2016.

Segundo o Dieese, a distribuição dos reajustes no primeiro semestre em comparação com a inflação, aponta que ao longo dos meses a proporção de reajustes acima da inflação aumentou, com exceção de abril. Em janeiro, quase 42% das negociações tiveram aumento real, enquanto em junho o percentual foi de 80%. Os reajustes abaixo da inflação tiveram queda sistemática ao longo do primeiro semestre. A proporção de negociações com perdas reais em janeiro foi de cerca de 20%, que caiu gradualmente mês a mês e, em junho, sequer foi observada.

http://d24am.com/economia/reajustes-perdem-para-inflacao-no-amazonas/

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