Manaus – O medicamento Gabapentina, utilizado na área neurológica para tratar convulsões e dor neuropática, está sendo testado com objetivo de descobrir se ele pode ser usado no controle da dor pós-operatória em pacientes submetidos à cirurgia de cabeça e pescoço na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon).

Estudo pioneiro no Amazonas é feito com pacientes submetidos à cirurgia de cabeça e pescoço. (Foto: Divulgação)

A pesquisa que conta com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC), é desenvolvida pela graduanda em Medicina, Amanda Puigcerver, que está no 5° período do curso na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Segundo a estudante o benefício da pesquisa é saber mais sobre a Gabapentina, um medicamento considerado muito comum no país, mas que ainda não é comumente utilizado para essa finalidade.

“No Brasil, um estudo científico envolvendo pacientes submetidos à cirurgia oncológica igual a esse ainda não foi realizado. Se os resultados apontarem o bom desempenho da Gabapentina existe a alternativa de colocarmos como um medicamento fixo na anestesia”, disse.

Aplicação

Conforme Amanda, para saber os efeitos da Gabapentina está sendo realizado um estudo duplo-cego com o paciente, onde o grupo de pesquisa atua com duas medicações, sendo um a Gabapentina e o outro Pregabalina, que são colocados em envelopes denominados como A e B. Os medicamentos são administrados nos pacientes sem que o grupo de pesquisa e os pacientes saibam a medicação ingerida. A identificação de cada um: A ou B é descrita apenas no prontuário de cada paciente.

“No estudo é dado o envelope A ou B para os pacientes e pedimos para eles tomem a medicação antes de se preparar para a cirurgia. Após isso, seguem para a preparação anestésica e fazem a cirurgia. Mas, antes da cirurgia verificamos numa escala de 0 a 10 o grau de dor que eles estão sentindo. Além disso, após a cirurgia, fazemos o acompanhamento com os pacientes no período de 24h e 48h para saber o grau de dor que ele ainda sente”, explicou.

O estudo, que começou em setembro de 2017, já analisou 20 pacientes. A previsão é que o número aumente e alcance no mínimo 80 pacientes até o fim do projeto previsto para finalizar no segundo semestre deste ano. A estudante explicou que no fim do estudo a equipe irá analisar a medicação A e B e descobrir qual medicamento foi mais eficiente nos relatos dos pacientes para diminuir a dor.

“A partir dos resultados, vamos saber se a Gabapentina é realmente eficiente para o tratamento anestésico”, disse. Os resultados parciais da pesquisa científica serão divulgados durante o Congresso de Iniciação Científica no FCecon no mês de fevereiro.

http://d24am.com/noticias/pesquisa-testa-se-o-medicamento-e-capaz-de-controlar-dor-de-pacientes-no-pos-operatorio/

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