Linchamentos em Manaus saltam de dois casos em 2015 para 36 em um ano e meio

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Manaus – Enquanto em 2015 a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM) registrou dois casos de linchamento em Manaus, no último um ano e meio foram registradas 36 ocorrências deste tipo de crime. Resultados de agressões a suspeitos de serem criminosos, as mortes são, geralmente, de autoria de comunitários que espancam o suspeito até a morte, tentando fazer “justiça com as próprias mãos”. Apesar do crescimento de casos, a Polícia Civil do Estado do Amazonas (PC-AM) informou investigar a autoria de linchamentos registrados na capital.

No começo de julho, um homem foi linchado, suspeito de tentar assaltar e sequestrar um taxista, na Rua K, do conjunto Canaranas, no bairro Cidade Nova (Foto:Raquel Miranda)

De acordo com os dados da SSP-AM, foram dez mortes por linchamentos, entre janeiro e junho deste ano. No mesmo período do ano passado, o número de vítimas linchadas era de 16. Ao longo de todo o ano de 2016, foram 26 linchamentos. Após ser identificado, o autor de um linchamento pode responder por lesão corporal seguida de morte que, de acordo com o Código Penal (art. 129), tem pena de prisão de quatro a 12 anos. Os autores também podem responder por homicídio, caso tenha a intenção de matar.

Segundo o delegado titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Juan Valério, há algumas linhas de investigação que tentam identificar autores de linchamentos que aconteceram na capital. “Estamos investigando a autoria de alguns desses casos. Um deles é um apedrejamento que aconteceu após o assalto em um micro-ônibus na zona leste, em abril”, disse Valério, sem precisar a data do linchamento.

Nesse caso, o início das investigações em busca da autoria do apedrejamento iniciou a partir da solicitação do pai do homem linchado, cujo filho era usuário de drogas, segundo as investigações em andamento no inquérito policial. Valério afirmou que os policiais civis fazem análises de inteligência para identificar os autores do linchamento, mas que enfrentam dificuldades para localizar suspeitos de serem responsáveis pela morte.

De acordo com o delegado, a autoria de um linchamento é um desafio para investigar mesmo quando as agressões são filmadas e compartilhadas em redes sociais. “Na medida do possível, dentro das nossas limitações, nós procuramos coletar imagens, identificar as pessoas e ver, inclusive, se realmente alguém agiu em legítima defesa e se está faltando com a verdade a partir dos depoimentos, ouvindo os envolvidos”, explicou o titular da DEHS.

Juan acrescentou que muitas das investigações são iniciadas após a delegacia ser procurada por parentes das pessoas linchadas. No entanto, nem todos procuram. “Há parentes que não ligam pela morte, pelo linchamento”, disse Juan. Questionada, por meio de assessoria de imprensa, a SSP-AM informou que a secretaria não dispõe de dados estatísticos que apontem a quantidade de inquéritos policiais, em Manaus, investigando a autoria de linchamento ou de tentativas de linchamento.

De acordo com o delegado da DEHS, a participação nas agressões já é uma característica para o agressor ser enquadrado como autor do crime. “Por mais que você procure se esconder em um anonimato da massa, se você deu só um soco ou só um chute, essas agressões concorrem para que as pessoas morram”, disse. Um dos motivos para agredir suspeitos de crimes, segundo Valério, é a crença de que os autores dos socos e pontapés ficam impunes.

OAB-AM vê crescimento de casos como preocupante

O presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Amazonas (CEDDH), Glen Wilde, classificou o crescimento noas casos de linchamentos como “preocupante”. “Qualquer acusaçãozinha, até de furto de loja, já estão linchando as pessoas”, disse. De acordo o titular da DEHS, a forma de agir dos agressores pode levá-los, inclusive, a protagonizarem injustiças. Valério disse que, muitas vezes, o linchamento inicia e os agressores, às vezes, nem sabem o porquê de estarem participando do linchamento. “A pessoa pode nem ter culpa de nada, pode até ser que tenha rixa pessoal com alguém que está próximo. Se leva o nome de ‘ladrão’ já inflama a população que parte para a agressão”, afirmou Valério.

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