Bruno Mazieri / plus@diarioam.com.br

Durante cerca de duas horas, os bailarinos ficam suspensos em árvores (Foto: Divulgação)

Manaus – Pela primeira vez na Região Norte, o núcleo vivo de criação Maya-Lila, de São Paulo, chega a Manaus para a performance de ‘Gotas’, nos dias 18 e 19 de julho, às 11h e 15h, no primeiro dia, e às 11h, no segundo dia, na Praça Heliodoro Balbi, no Centro. A dança-instalação, como a bailarina Marília Coelho gosta de chamar, conta com três integrantes e busca abordar, de forma diferenciada, o tempo, a germinação e a importância das relações interpessoais. Depois da capital do Amazonas, a performance segue para Rio Branco (AC), Belém (PA) e Macapá (AP).

Entrevista: Marília Coelho – Integrante da performance

Como funciona o espetáculo ‘Gotas’?

Na verdade, não chamamos de espetáculo. Quando pensamos em espetáculo, imaginamos que vamos ao teatro, sentar e assistir uma apresentação. Esse trabalho chamamos de dança-instalação porque dialogamos com as artes visuais e a performance. Ficamos pendurados e ele não tem começo, meio e fim. Geralmente, dura entre uma hora e meia ou duas horas, e nosso público é aquele que está transitando na rua, de passagem, e que não espera ver um acontecimento artístico.

Mas existe uma coreografia?

Temos sim uma coreografia. Por ser um trabalho de permanência, ficamos em determinada pose por um certo tempo e, por conta disso, é um trabalho bem difícil de executar. Para quem assiste, tem a beleza da contemplação, uma beleza de ver os corpos pendurados com as árvores. É bem curioso de ver a reação do público. Ele trabalha com muito sentimento e traz à tona muitas sensações para o espectador. Já nós entramos em um estado meditativo dentro das gotas. É como se tivéssemos voltado para a placenta, para o útero. Aos poucos vamos brotando.

E o que ele busca transmitir?

A performance estreou em 2010 e vem se desenvolvendo. Os nossos trabalhos sempre estão se desenvolvendo, sempre buscando um aprofundamento nas questões artísticas e técnicas. Ela fala do germinar, gestar. O público pode interagir, pois têm uns regadores e, com isso, ele passa a cultivar a dança. Falamos sobre a desaceleração do tempo. Hoje, é tão rápido, tão às pressas, não conseguimos nos encontrar. Ele abre o nosso pensamento para isso, para a contemplação e suspensão do tempo.

O post ‘Gotas’ para ver e germinar apareceu primeiro em D24am.

http://d24am.com/plus/artes-e-shows/gotas-para-ver-e-germinar/

SEM COMENTÁRIO