Belezão deu o ar de sua graça na arena (Foto: Evandro Seixas)

O Boi-Bumbá Garantido desenvolveu, nesta segunda noite do Festival Folclórico de Parintins, o subtema “Folclore e Resistência Cultural”, dentro do tema “Magia e Fascínio no Coração da Amazonia”. A noite foi marcada por muitas referências à história do bumbá e a tradição da brincadeira de boi, com o repertório resgatando grandes clássicos do Garantido.

A associação folclórica iniciou sua apresentação cantando algumas das suas toadas imortais como “Anunciei Boi na Cidade” e a “Contagem”, levando à loucura o item 19, a galera vermelha e branca.

A tradicional contagem, marca registrada do Garantido, foi feita pelo apresentador Israel Paulain e com a inconfundível marcação de surdo de Reque Monteverde, neto de Lindolfo Monteverde, fundador do boi.

A contagem antecedeu a entrada da Figura Típica Regional “Caboclo Ribeirinho”, uma alegoria gigantesca com barcos imensos e, nas laterais o bailado corrido. Do centro da alegoria, conduzida nas mãos de uma fenomenal Yara Mãe D`Água, veio a Rainha do Folclore Isabelle Nogueira.

O Boi Garantido em pessoa evoluiu tendo como fundo musical a toada “Terceira Evolução”, uma das mais clássicas da associação folclórica. Várias pessoas no Bumbódromo voltaram no tempo com a canção,

Um dos momentos de maior emoção da noite foi quando o levantador de toadas Sebastião Júnior cantou a toada “Lamento de Raça”, uma ode à preservação ambiental não só na Amazônia, mas em todo o Planeta Terra. A música, que tem mais de duas décadas de história, ganhou uma interpretação especial de Sebastião Júnior, arrancando aplausos da galera vermelha e branca.

O Amo do Boi Tony Medeiros declamou versos desafiando o Caprichoso e o Amo do boi contrário Prince do Boi, citando o caso em que ele foi multado pelo Ibama por conta de fotos publicadas em redes sociais comendo animais cujo consumo é proibido.

O pajé André Nascimento antecedeu a celebração Tribal “Índio do Brasil” declamando versos alertando para a importância do meio ambiente. Em seguida, embalados pela canção “Índio do Brasil”, tuxauas e tribos fizeram performances.Depois foi a vez de somente as tribos realizarem danças coreografadas.

Estreante da noite, a porta-estandarte Nabila Barbosa adentrou a arena dentro de uma oca trazida por uma canoa estilo bajara e tendo na sua companhia um imenso índio. A item substitui Daniela Tapajós, que apresentou problemas de saúde de última hora.

A lenda amazônica “A Fera Kanaimã” entrou em cena de forma impactante, com alegorias monstruosas invadindo a Arena do Bumbódromo. A encenação retratou o mito de um ser gigantesco do mundo sobrenatural, híbrido de homem e animais da floresta, que aterroriza índios e caboclos da Amazônia.

Rayssa Bandeira chegou em altíssimo estilo: dentro do coração do lendário Kanaimã. Mas ela não parou por aí: após sair do interior da criatura, a item, que representa a mulher mais bela da tribo, veio ao chão içada por cabos de aço, arrancando calafrios e sustos, e depois alívio, na galera vermelha e branca.

A Batucada, comandada pelo mestre Bilela, veio como nos tempos do seu fundador Lindolfo Monteverde: tradicional de vermelho e branco usando chapéus com corações na copa e a cabeça do boi Garantido.

Ele não poderia faltar: no momento da celebração folclórica “Auto do Boi” surgiu o Belezão, um imenso Boi Garantido que girava a cabeça, se movimentava e jogou banho-de-cheiro nos brincantes e na galera do Garantido e na do Boi Caprichoso. Ele foi um dos destaques da encenação. Outro foi a Sinhazinha da Fazenda Djidja Cardoso, que, esfuziante, mostrou graça, leveza e beleza. E o terceiro a própria teatralização do auto com Pai Francisco, Mãe Catirina, Gazumbá, Amo do Boi e, claro, o Garantido.

O boi de curuatá (invólucro da flor da palmeira), com fitas de laço coloridos, foi representado, resgatando os primórdios da brincadeira de boi-bumbá.

O grande Pajé Prepori, dos índios Kaiabi, da área cultural do Parque do Xingu, é até hoje considerado o Pajé dos pajés por toda a sua sabedoria na condução e orientação do seu povo enquanto viveu. Prepori se tornou um Pajé ancião admirado e reverenciado pelos índios.

O Boi Garantido recriou, em sua homenagem, o ritual de cura dos índios Kaiabi, do Mato Grosso do Sul,cerimônia de transcendência do Pajé, que viaja ao mundo sobrenatural na busca dos segredos da cura par a o seu povo. Um prato cheio para o pajé André Nascimento mostrar todo seu potencial: uma coruja gigante o trouxe do alto e o colocou sobre a cabeça de um índio; após, no chão, ele começou sua pajelança e a dança para espantar os maus espíritos. Do seu cetro, ele soltou fogo artificial e faíscas.

Como no início, a toada “Anunciei Boi na Cidade” embalou a saída da associação folclórica da Baixa do São José.

Durante vários momentos desta segunda noite o apresentador do bumbá, Israel Paulain, aproveitou para “cutucar” o Boi Caprichoso ao dizer que “aqui não precisa de tecnologia” e “o Garantido vem na raça”.

acritica.com Parintins (AM)

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Fonte: http://www.ojornaldailha.com/garantido-fecha-segunda-noite-do-festival-em-clima-de-folclore-e-resistencia/

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