Fixe este número: dois milhões de euros. É este o montante já investido pelo FBI em tecnologia que permite desbloquear o sistema operativo dos telemóveis da Apple, um dos “segredos mais bem guardados” da área tecnológica e que tem provocado acesas discussões e batalhas judiciais e que, aparentemente, poderá estar próximo de um fim. Ou, pelo menos, de uma situação que, mesmo para fins judiciais, represente um esforço menos significativo para o erário público norte-americano, a avaliar pelo que avança o portal The Verge.

Os documentos gravados no serviço iCloud podem ser facilmente obtidos pela Apple, mas a informação guardada no telemóvel é outra história, principalmente nos modelos mais recentes (os que têm o botão de reconhecimento através de impressão digital). Nestes casos, a operação que permite o acesso ao aparelho é muito complicada – depende da combinação entre o código de bloqueio e uma chave que está embutida no interior do próprio aparelho, numa espécie de pequeno computador à parte daquele que faz o telemóvel funcionar, e a que a Apple garante não ter acesso.

Vários têm sido os processos judiciais, nomeadamente em actor terroristas, em que a Apple tem sido chamada a apoiar a investigação de modo a permitir o acesso ao telefone dos presumíveis terroristas, algo que a companhia de Cupertino tem recusado fazer. Um dos casos mais polémicos remonta a 2016, altura em que um tribunal ordenou a empresa a criar um programa para que o FBI possa desbloquear o iPhone usado por um dos atacantes no ataque terrorista em San Bernardino, na Califórnia.

Um tribunal ordenou a empresa a criar um programa para que o FBI possa desbloquear o iPhone usado por um dos atacantes. Alegando que as implicações dessa ordem são “arrepiantes”, o patrão da Apple, Tim Cook, prometeu lutar contra as autoridades até ao fim.

Em causa está o acesso a dados gravados no telemóvel de Syed Rizwan Farook, o norte-americano que matou 14 pessoas no condado de San Bernardino, em Dezembro desse ano, num ataque cometido com a sua mulher, Tashfeen Malik, uma paquistanesa que passou a maior parte da vida na Arábia Saudita. Na altura, o FBI tentou forçar a Apple, sem sucesso. Entretanto, a agência teve mesmo de recorrer à compra de software para conseguir desbloquear o equipamento e ter acesso a informações importantes, como os registos de chamadas e mensagens, por exemplo. Pagou 900 mil dólares.

O FBI dispõe, neste momento, de 7800 terminais da Apple por desbloquear, uma situação insustentável que já levou mesmo ao recurso a dedos de cadáveres para o desbloqueio de iPhones por impressão digital. Esta tendência poderá estar a mudar graças a um ex-engenheiro de segurança da Apple que é agora quadro da Grayshift, uma empresa de cybersegurança que desenvolveu o Greykey, um dispositivo pouco maior que um disco externo e que poderá desbloquear um iPhone num prazo entre duas horas e três dias, dependendo da complexidade da palavra passe utilizada.

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