Estudo pretende contribuir com manejo florestal sustentável no Amazonas

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Pesquisa utiliza tecnologias de ponta para determinar taxas de crescimento de espécies hiperdominantes no Estado

O estudo “Crescimento e incremento da espécie florestal mais abundante e frequente do Amazonas” busca incentivar o manejo florestal da espécie hiperdominante no Amazonas, o matamatá amarelo (Eschweilera coriacea). A pesquisa, que é coordenada pela doutora Flávia Durgante, utiliza tecnologias de ponta para determinar taxas de crescimentos dessas espécies e, assim, propor estratégias e técnicas para o manejo florestal sustentável.

Segundo a coordenadora do estudo, a proposta é testar as tecnologias de ponta como análises isotópicas e de radioisótopos da madeira na espécie número um de hiperdominancia do estado, o matamatá amarelo, e, a partir dos testes, determinar a taxa de crescimento em seis localidades no Amazonas.

“O estudo consiste em incentivar o manejo florestal da espécie hiperdominante. Para isso foi necessário utilizar tecnologias de ponta para determinar a taxa de crescimento desta espécie para locais onde ainda não há monitoramento. As tecnologias foram testadas e validadas na região de Manaus e depois foram aplicadas nas outras localidades. O manejo de espécies hiperdominantes é um caminho para alcançar o tão desejado manejo florestal sustentável”, contou a pesquisadora.

Foto: Divulgação

Manejo – A partir do estudo, o grupo de pesquisadores busca mudar o foco do manejo de espécies comerciais para o manejo de espécies abundantes contribuindo, assim, com a sustentabilidade do ecossistema. A espécie em questão é o matamatá amarelo, que está entre as mais encontradas na floresta em quase todos os sítios de terra firme já inventariados pelo Laboratório de Manejo Florestal, conforme a doutora.

“É necessário entender a ecologia dessa espécie, como ela cresce para poder manejar e depois encontrar um produto para gerar renda com ela. Deste modo, o manejo florestal será mais sustentável, pois todo o Amazonas poderá manejar essa espécie, ela ocorre em todo lugar. Inicialmente, determinamos as taxas de crescimento do matamatá amarelo em: São Gabriel da Cachoeira, Atalaia do Norte, Juruá, Manicoré, Maués e Manaus”, explicou Flávia.

Taxa de crescimento – Durante o estudo foram testadas as técnicas de análise química da madeira, como análise de isótopos estáveis de oxigênio e de carbono e o radioisótopo carbono 14 para reconhecer a taxa de crescimento das árvores em locais onde não há parcelas permanentes, conforme a pesquisadora. As técnicas buscam validar o uso das práticas de análise de tronco com tecnologias avançadas com intuito de aprimorar o conhecimento sobre a floresta amazônica.

“Determinamos a taxa de crescimento dessas três técnicas de análise isotópica e comparamos com a taxa de crescimento em parcelas permanentes com mais de 25 anos de monitoramento. Foi possível determinar qual método isotópico é útil para determinar com confiabilidade as taxas de crescimento das árvores na Amazônia em locais sem monitoramento”, contou a doutora.

O projeto de pesquisa ainda está em andamento. Até o momento já foi testado o melhor método isotópico para determinar a taxa de crescimento em árvores da Amazônia. Conforme a pesquisadora, o grupo também já aplicou o método nos seis sítios e determinou a taxa de crescimento do matamatá amarelo em cada um deles. Ela destaca alguns dos resultados alcançados.

“Com a datação de carbono 14 – ferramenta usada para datar a idade do carbono na madeira – nas árvores dos seis sítios estudados foi possível observar que as árvores crescem muito devagar em quase todo o estado. Apenas em Manicoré as árvores crescem mais rápido. A taxa de crescimento para essa espécie mudou de um sítio para outro, indicando a necessidade de um planejamento de manejo florestal para cada sítio. Ou seja, é necessário um ciclo de corte para cada sítio e não um ciclo comum para toda a Amazônia como hoje é determinado pela legislação”, disse Flávia.

Foto: Divulgação

Benefícios – Para a pesquisadora, o principal benefício para a população é introduzir novas tecnologias ao manejo florestal sustentável para gerar renda para o Amazonas sem destruir a floresta. O estudo também deve contribuir para determinar a taxa de crescimento das árvores em áreas ainda não estudadas que poderão ser utilizadas em atividades de produção madeireira e em projetos de Carbono (Projetos REDD+).

Apoio Fapeam – A pesquisa conta com apoio do Governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) por meio do edital Programa Universal Amazonas. O projeto patrocinou desde coletas de campo até o preparo de amostras para análise isotópica.

“Com o apoio da Fapeam foi possível testar tecnologias de ponta no manejo florestal. O manejo florestal sustentável realizado de forma segura na região trará benefícios econômicos para todo o estado e abrange desde comunitários, ribeirinhos até grandes empresas. Com a aplicação do manejo florestal sustentável tanto a população amazonense quanto a biodiversidade da floresta saem ganhando, pois para manejar é preciso manter a floresta em pé”, disse a pesquisadora.

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