Embaixador da Indonésia propõe parceria para Festival Amazonas de Ópera

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Uma ópera mítica em torno do vulcão Kawah Ijen, na ilha de Java, que, devido aos níveis de enxofre, expele lava azul e engole mineradores em um pacto pela riqueza é uma das propostas para o próximo Festival Amazonas de Ópera. A obra, com a união entre três países, foi apresentada à Secretaria de Estado de Cultura (SEC) na segunda-feira (23), durante a visita do embaixador da República da Indonésia, Toto Riyanto, e já tem o libreto escrito pelo compositor João Guilherme Ripper.

O embaixador, que também visitou a sede do Governo do Estado, onde se reuniu com o governador Amazonino Mendes, disse que procurava uma ponte que pudesse conectar as culturas indonésia e brasileira quando foi apresentado à obra “Kawah Ijen”. ”Acredito que a arte pode tocar nossos corações. Queremos ver se conseguimos juntar as músicas brasileira e indonésia no Festival”, disse o embaixador, em uma reunião posterior com o secretário de Cultura, Denilson Novo, e a equipe da SEC.

Foto: Michael Dantas/SEC

Durante a reunião, que teve a participação dos maestros Luiz Fernando Malheiro e Marcelo de Jesus, além da soprano Isabelle Sabrié e da assessora de Relações Internacionais da SEC, Suzy Osaqui, Ryianto declarou que vai fazer o que for possível para que a obra seja apresentada no Festival Amazonas de Ópera. O embaixador também propôs outros projetos que introduzissem a cultura indonésia no Amazonas. “Queremos que a cultura se conecte não só na música, mas na gastronomia, nas danças, na política e na economia, com um centro de cultura da Indonésia que pudesse funcionar durante o Festival e apresentar às pessoas os costumes do nosso povo. Eu acredito que vai dar certo e vou lutar para que possamos trabalhar juntos”, afirmou.

O titular da pasta de Cultura, Denilson Novo, destacou que a proposta se alia a um dos novos pilares da gestão, a parceria. “Ficamos muito felizes. É gratificante que nos primeiros dias de gestão recebamos uma proposta tão valiosa de intercâmbio entre nossos valores culturais”.

Foto: Michael Dantas/SEC

A obra – A ideia da obra surgiu em 2016, após a ópera “Onheama” ser montada em Portugal, com regência do maestro Marcelo de Jesus. “Onheama” foi escrita por Ripper e encomendada exclusivamente para o XVIII Festival de Ópera, em 2014.

“A proposta saiu de Manaus e voltou para Manaus. Em Portugal, eu fui abordado por uma percussionista da orquestra, que é especialista no instrumento gamelão, cujo marido é escritor e tinha uma história sobre o Vulcão Azul que queria colocar em ópera. Achei a ideia interessante e comecei a trabalhar no libreto. Pensei que a ópera pode introduzir a cultura indonésia, mas precisa de elementos sonoros típicos e, para isso, precisamos do gamelão. Queremos que Manaus seja o porto de entrada dessa cultura no Brasil, porque sedia um dos maiores eventos de ópera da América Latina”, explicou Ripper.

Instrumento tradicional da Indonésia – O gamelão (gamelan, em indonésio) é um instrumento composto por uma série de xilofones, gongos, tambores e metalofones, típico das ilhas de Java e Bali, na Indonésia. Desde que começou a trabalhar no libreto, Ripper procurou formas de transportar o instrumento para Manaus, que seria uma doação ao Governo do Amazonas, além do primeiro e único do País, a servir de base para estudos.

“Procurei o Ministério das Relações Exteriores para que procurassem a embaixada da Indonésia e resolvessem os trâmites. A ideia era que o instrumento chegasse via mala diplomática, pois, seria de propriedade da Indonésia. O instrumento, encomendado sob medida para a música ocidental já está pronto para ser enviado”, disse o compositor.

Oficinas de gamelão – Conforme Ripper, a conexão com Portugal se daria na base dos músicos especialistas no gamelão, que poderiam chegar antes do festival para ministrar oficinas e tornar a capital amazonense um polo de difusão de ensino sobre o instrumento, um que ainda não existe no país. “Portugal entra com os músicos, a Indonésia com a cultura e com o instrumento, e o Brasil está fazendo com que esse encontro aconteça. Três países que se unem em torno de uma obra”, pontuou.

Ainda segundo o compositor, o Festival Amazonas de Ópera foi o ponto de partida para que o projeto saísse do papel. “Tanto os governos da Indonésia e de Portugal se interessaram a partir do momento em que foi mencionado o Festival, que é de renome internacional e ecoa além do Atlântico”, disse Ripper.

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