Socorro Rodrigues, Artesã parintinense vende produtos dentro de mercadinho (Foto: Márcio Silva)

Se para boa parte dos comerciantes o Natal é a época mais esperada do ano, o parintinense espera mesmo é o mês de junho e julho para lucrar. Com a chegada de milhares de turistas para curtir o Festival Folclórico de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus), que inicia na sexta-feira (30) e vai até domingo (2), os lojistas da cidade estimam um aumento de 80% nas vendas. Alguns investem até na mão-de-obra para agradar os visitantes.

É o caso do responsável pelo conhecido Bar Chapão, Charles Andrade. Pela primeira vez à frente do espaço, tido pelo público como o reduto do boi Caprichoso há mais de 30 anos no Centro de Parintins, ele diz ter contratado dez pessoas para aguentar o acréscimo de clientes.

Experiente no segmento de bebidas, Charles já trabalhou em outro conhecido bar de Parintins. Segundo ele, o estabelecimento chegava a comprar 1.200 grades de cerveja a mais para os dias do festival. “Aqui investimos R$ 6 mil em aluguel e estamos comprando os produtos de alimentação. Ainda não tenho uma análise concreta do aumento do lucro, mas acredito, pelo conhecimento que tenho com as pessoas que frequentam o festival, que o movimento vai ser muito bom”, diz ele.

Ainda segundo o comerciante, o bar ficará aberto 24h por dia a partir desta terça-feira (27). Os famosos “litrões” de cerveja serão vendidos a R$ 6 e R$ 7 a fim de fisgar os brincantes. Para ele, o festival é o momento mais esperado. “É esperado não só pra mim, mas para todas as pessoas de Parintins. Tem muita gente que trabalha só nesse período e não tem trabalho. Quando fraqueja o segmento de bebidas, eu trabalho em movelaria porque não vou ter lucro em outra época. Se um dia isso aqui acabar, não sei o que vai ser”, brincou.

O aquecimento do mercado parintinense também chegou para quem trabalha com roupas. No Lojão Popular, na avenida Amazonas, mãe e filha cuidam do aumento das vendas, principalmente de peças das cores azul e vermelha. No local, são vendidas camisas, adesivos e acessórios para os dias de festa.

A empresária Maria Alencar, a Nêga, acredita que o lucro aumente em até 80% por conta da chegada de turistas. “Acredito que de quarta (28) pra quinta-feira (29) vai ter bastante visitantes. Acredito também que esse ano vai ser muito mais aquecido que o ano passado, até porque é ano de eleição, e rola um dinheiro um pouco maior pra aquecer. Estamos na expectativa”, afirmou

Mãe de Nêga, a comerciante Fátima Silva conta que o estabelecimento existe há 29 anos. Nascida em Porto Velho (RO), ela sente ter sido recebida de braços abertos na Ilha Tupinambarana mesmo fazendo parte de um setor competitivo. “Começamos a vender roupas de preço bom e barato, onde todo poder aquisitivo pudesse ser capaz comprar. Graças a Deus fomos muito bem recebidos em Parintins. Me sinto parintinense depois de 30 anos”.

Quem também espera o crescimento das vendas é a artesã Socorro Rodrigues. Carismática, ela trabalha como vendedora há seis anos e possui uma banca de acessórios indígenas dentro do próprio mercadinho, mostrando não só o espírito criativo do parintinense como o olhar empreendedor diante da cultura local. “O parintinense é criativo de natureza. Apesar da crise, nós temos que inovar. Temos que criar e explorar a nossa cultura”, diz ela.

Com a customização de camisas e confecção de acessórios, ela afirma que o comércio é capaz de ser um “termômetro” do festival. Na avaliação dela, o período é a principal época para ganhar dinheiro. “Nós (parintinenses) somos carismáticos e a pessoa que é realmente um bom vendedor adquire o cliente. O festival de Parintins é o Natal do parintinense. É onde o parintinense se orgulha de ser da terra”.

Oswaldo Neto/acrítica.com/Parintins

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