Caratê do Amazonas evolui e vive fase histórica

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Manaus – O jiu-jítsu do Amazonas não é a única arte marcial que garante medalhas para o Estado. Vivendo um período histórico, o caratê amazonense é sinônimo de títulos. No ultimo final de semana, alguns atletas locais se destacaram no Campeonato Brasileiro, em Salvador (BA). Além disso, no próximo final de semana, o atleta da academia Fênix, de Borba (a 151 quilômetros ao sul de Manaus), Ryan Christian, representará o Estado no Campeonato Mundial, em Tenerife (ESP).

O caratê é uma modalidade antiga no Amazonas. Mas, nos últimos dez anos, ocorreu um ‘boom’ no número de praticantes e de conquistas em competições nacionais. Para o presidente da Federação Amazonense de Karatê (FAK) e membro da diretoria da Confederação Brasileira de Karatê (CBK), Washington Melo, isso é fruto de muito trabalho e do esforço de pessoas apaixonados pela modalidade.

No Brasileiro, Ana Castro , 32, foi ouro no master, e Izis Regina Araujo, 11, conquistou suas 10ª medalha (Foto: Reinaldo Okita)

“Tivemos alguns presidentes que deram o apoio necessário com a federação. Eles fizeram, o que acho mais difícil, o primeiro passo, montar a estrutura. Esses resultados não são milagres. Cada um fez o trabalho dentro de suas condições”, reconheceu.

Melo relembrou a entrada de atletas do Estado na Seleção Brasileira de Caratê. “Esse é o melhor momento do nosso caratê, que virou um esporte olímpico. Não tínhamos tido a oportunidade de ter um atleta na Seleção. Isso aconteceu, em 2016, com a Natalia Farias. Depois veio a Whitney Paloma e o Thiago Vilaça, do município de Borba. Isso mostrou para os outros atletas que é possível, mesmo tendo que vencer a dificuldade financeira”, afirmou o dirigente.

Exemplo disso acontece com a atleta Ana Kelly Castro , 32, que conquistou o primeiro lugar na categoria master. A atleta, de Coari (a 363 quilômetros a oeste de Manaus), revela ter sido pega de surpresa ao saber que iria para o Brasileiro. Ela não tinha conseguido patrocínio.

“Minha família fez um grande esforço para eu ir. Comecei a praticar com 27 anos. Matriculei primeiro o meu filho e gostei da modalidade. Antes, eu era sedentária. Quando comecei a praticar caratê, aprendi a controlar a minha emoção. Além disso, tive dificuldades com a coordenação motora. Agora, pretendo participar de uma Olimpíada”, disse Ana, que procura patrocínios para se manter na ativa.

Outra atleta que se destacou foi a jovem Izis Regina Araujo, 11, atleta do Cassam (Clube Militar de Manaus). Aluna da 5ª série, ela abandonou a natação para fazer sucesso no caratê e conquistou a décima medalha no Brasileiro. “Fazia natação no Cassam e conheci o mestre Washington. Passei um tempo enrolando para começar, mas logo me apaixonei quando iniciei a praticar. O esporte me uniu mais com a minha mãe e me sinto mais feliz. Pretendo entrar na Seleção Brasileira e chegar a um Campeonato Mundial”, disse Izis, que é preparada pela treinadora Renata Dantas.

Atleta do Cassam também, Natalia Faria fez sucesso em Salvador (BA). Aos 13 anos, a amazonense fez parte da Seleção Brasileira e conquistou mais um título nacional. “Treino há sete anos e entrei duas vezes na Seleção. Participei de vários campeonatos na América do Sul. Comecei, porque meu pai me levou para assistir. No começo, não gostava, mas logo comecei a criar gosto e não parei mais. Meus amigos sempre torcem por mim. Falam que me veem dando entrevista. Acho legal, porque isso acontece graças ao esporte”, concluiu.

Jovem Dudu sonha com medalhas nos Jogos Olímpicos

Bicampeão brasileiro com apenas 11 anos. Esse é o jovem Carlos Eduardo Moraes. Praticante de caratê desde os quatro anos, o jovem projeta um futuro vitorioso. “Fiquei muito feliz em ser bicampeão. Agradeço ao meu mestre que sempre me incentivou e vi que o treinamento deu resultado no Brasileiro. Vou continuar treinando forte para os próximos torneios. Tenho o sonho de ser campeão mundial e olímpico”, disse Dudu.

Pequena no tamanho, Kal, de 6 anos, já está crescendo na carreira

Caçula do grupo, a pequena Kayane Lucena, 6, também se destacou no Campeonato Brasileiro. Kal, como é chamada pelos amigos, foi campeã da categoria Sub-8. Mesmo jovem, ela afirma treinar bastante para conquistar mais medalhas. “Estou tentando me esforçar para ganhar mais medalhas no caratê. Treino muito com o meu professor. Gosto muito do caratê. Minha família me apóia. Sempre espero que eles gostem das minhas medalhas”, disse Kal.

(Fotos: Reinaldo Okita)

De Borba, Ryan Christian busca alcançar novo feito no tatame

Aos 15 anos, Ryan Christian foi o primeiro atleta do Amazonas a conseguir uma medalha em competição internacional. A conquista veio com o bronze no Campeonato Sul-Americano deste ano. Assim, de maneira inédita, o jovem garantiu vaga no Mundial de Karatê, que acontecerá na Espanha.

Para Ryan, o maior objetivo é chegar na fase final e conseguir ficar entre os três primeiros colocados. Mas ele sabe que terá um grande adversário logo de cara, a língua. “Vou para disputar a categoria Cadete, de 14 e 15 anos. Minha expectativa e representar bem o Brasil e o meu município de Borba. Se Deus quiser, vou conseguir subir ao pódio. Não conheço o país e não falo a língua, o espanhol. Essa será a minha maior dificuldade. Não sei como vou me comunicar por lá”, disse Ryan.

Ryan foi o primeiro atleta local a subir no pódio no Sul-Americano (Foto: Arquivo Pessoal)

Para o presidente da FAK, Washington Melo, a participação de Ryan no campeonato só confirma o momento de ouro dos atletas amazonenses. “Temos atletas na Seleção e, hoje, temos o maior feito do caratê amazonense, que é fruto do esforço do Ryan Christian. Ele é o primeiro atleta do Amazonas a conseguir medalha no Sul-Americano e garantir vaga no Mundial”, reforçou Melo.

O dirigente até sonha com um patamar maior para o Amazonas no Caratê. “Agora, vamos sonhar com um atleta na Olimpíada”, disse Washington Melo.

E Ryan Christian não é o único atleta de Borba que está se destacando. No último final de semana, os atletas Carlos Eduardo e Jennifer Costa conquistaram ótimos resultados no Campeonato Brasileiro.

Carlos ficou com a medalha de prata na categoria cadete, 14 e 15 anos. Enquanto Jennifer conquistou um ouro e um bronze. Agora, ambos vão retomar os treinamentos para o exame de faixa, que acontece no final do ano. Vale lembrar que os atletas não tiveram apoio para bancar as despesas para a viagem.

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