Amazonenses tentam lugar ao sol nas terra do Tio Sam (Foto: Divulgação)

Manaus – Em maio deste ano, Leonardo da Silva Brito, 17, morador de Rondônia, foi aprovado para Harvard, Columbia, Tufts e Stanford, todas elas universidades norte-americanas e extremamente concorridas tanto no País, quanto fora dele. Porém, o mérito não é uma prioridade apenas daquela região. Muito pelo contrário! Há muito tempo os amazonenses estão conquistado seu ‘lugar ao Sol’ nas academias da Terra do Tio Sam.

Prova disso, é a recém-aprovação do amazonense Luís Felipe de Sousa e Silva, formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e que fará parte, no biênio 2017/18, do programa Master of Laws (LL.M.), da Harvard Law School, nos Estados Unidos. Por lá, passaram importantes nomes como o casal Obama (Barack e Michelle), por exemplo.

Ele conta que o interesse nasceu após um descontentamento com o ensino jurídico no Brasil, de um modo geral. “Durante a graduação e pós, vi o ensino se resumir a um procedimentalismo exagerado, extremamente orientado para atender às exigências dos concursos públicos e da OAB”, comenta.

Foi quando Luis voltou suas atenções para o LL.M.. “Lá, o ensino não se resume a exercícios de memorização. Busca-se entender a razão das grandes decisões jurídicas, políticas e econômicas. E aí, quando se pensa em universidades nos Estados Unidos, é impossível que Harvard não seja a primeira coisa a surgir na nossa mente. No meu caso, a Harvard Law School”.

O amazonense concorreu com mais de 3 mil inscritos de todo o mundo, dos quais, em média, somente 180 foram aprovados. Para o biênio 2017/18, apenas nove brasileiros foram aprovados, sendo Luis Felipe um deles. “Nunca procurei saber se já houve outras pessoas da Região Norte no programa. Talvez, do Amazonas, eu seja o primeiro, mas realmente não sei dizer ao certo”.

Preparação

Com a ajuda do coach Mateus Benarrós, o amazonense estabeleceu metas de produção a serem alcançadas. O processo, que envolve a elaboração de textos, pessoais e técnicos, dá uma quantidade inimaginável de trabalho. “Além disso, necessitamos de cartas de recomendação e de um currículo, que precisa ser minuciosamente preparado. O grande desafio foi o tempo curto de preparação — apenas seis meses — para conciliar um elevadíssimo volume de produção textual com atenção máxima a detalhes”, detalha ele, lembrando que tudo começou em julho de 2016.

A rotina, considerada puxada por ele, contava com trabalho e a pós-graduação, sobrando somente parte da noite e da madrugada para preparação. “Harvard recebe cerca de 3 mil inscrições por ano para esse programa. Muitos já possuem mestrado, doutorado, outros já foram ministros, presidentes de cortes supremas. Realmente nos sentimos pequenos e incapazes, mas isso é uma armadilha. A universidade está em busca de indivíduos diversos, com interesses particulares. Ser quem somos é a melhor aposta para igualar as chances de ser aceito”, ressalta.

Depois do mestrado, Luis Felipe pretende retornar a Manaus e exercer uma advocacia de ponta no Norte do País. “Desejo fazer trabalhos impecáveis. Aliado a isso, eu gostaria muito de atuar no melhoramento do ensino jurídico em Manaus e no Brasil. Entendo isso como uma prioridade. O direito é uma ferramenta muito importante para o desenvolvimento e para a transformação social, quero me dedicar para que nos lembremos disso constantemente”.

Para quem pretende seguir os passos do amazonense, aí vai um conselho: “Não desista antes de tentar. Pesquise, estude, busque ajuda, prepare-se. O resultado será sempre diretamente proporcional à quantidade de esforço que você aplica. Então, com tempo e dedicação, qualquer um pode alcançar a universidade de seu sonho”, finaliza.

Cinema

Seguindo o mesmo caminho de Luis Felipe, a amazonense Maria Beatriz Avinte Freire, 16, está de malas prontas para passar duas semanas nos Estados Unidos, mais precisamente na Syracuse University, onde fará um curso de filmmaking ou, no bom português, cinema. “Isso é algo que eu sempre quis. Com 12, 13 anos pensei que, de fato, poderia ser uma carreira. Esse desejo surgiu ainda na infância. Uma das minhas avós tinha muito filmes antigos e fui me apaixonando, me interessando por essa área”, explica.

O processo de busca por uma vaga em uma universidade norte-americana começou em março deste ano. Maria têm aulas de segunda a quinta-feira, sempre pelo período da tarde. “Depois que eu retornar dessas duas semanas, nas quais terei a oportunidade de ficar na própria universidade, dou continuidade ao processo de seleção para seis academias nos Estados Uniddos”, adianta.

Ela pretende, quem sabe, obter uma bolsa de estudos para o período de quatro anos do curso. “Quero ser diretora, roteirista e atriz. Essas três áreas são as que eu mais envolvi e amo fazer”, revela ela, frisando que conseguir espaço nos Estados Unidos, é algo “fantástico”. “O Amazonas é, muitas vezes, deixado de lado e as pessoas acham que, aqui, falta desenvolvimento. Quando existe essa projeção, conseguimos mostrar que os amazonenses são cheios de méritos acadêmicos e artísticos e que somos merecedores de todo o sucesso”.

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Fonte: http://d24am.com/plus/comportamento/busca-por-conhecimento-supera-fronteiras/

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