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Jogos no interior atraem atenção da população, que aproveita até a varanda das casas para assistir (Foto: Divulgação)

Manaus – Com uma premiação de R$ 16 mil em dinheiro, a 25ª edição da Copa dos Rios de Seleções (Sub-19), torneio amador de futebol com equipes do interior, terá um custo de R$ 118,6 mil para a Federação Amazonense de Futebol (FAF), neste ano. Há mais de 20 anos na presidência da FAF, Dissica Valério Tomaz, tem como maior eleitorado as 46 ligas desportivas dos municípios, as quais os votos nas Eleições da FAF têm o mesmo peso dos 15 clubes federados.

Por não ter investimento equivalente para a categoria profissional, os torcedores dos clubes podem até associar os gastos da FAF na Copa dos Rios a uma retribuição eleitoreira, mas a federação nega.

“Há 15 anos que temos a premiação em dinheiro. De 46 municípios regularizados, estão participando 39 seleções (na Copa dos Rios) neste ano. No Estadual profissional não podemos fazer isso, só se tiverem patrocínios como do governo (do Amazonas). Mas somos a única federação do País que não cobra nada dos filiados. Nem a anuidade”, disse Tomaz.

O cartola afirmou que os gastos com a Copa dos Rios aumentam a partir da 3ª fase (quartas de final), quando a federação arca com as despesas com hospedagem, alimentação e transporte interno. Nesta etapa do campeonato, as oito seleções classificadas ficam alojadas em Manaus ou municípios próximos a capital.

Os recursos da FAF, conforme o dirigente, são provenientes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com uma verba mensal de R$ 75 mil. “Ainda sobra R$ 9 mil, que usamos para ajudar as ligas desportivas (do interior) quando precisam de algo, como redes (para traves), troféus, medalhas e equipamentos de arbitragem. Em média, podemos ajudar, assim, até seis ligas por mês. Sendo o teto de R$ 800”, explicou Tomaz.

A Copa dos Rios, praticamente, não tem jogadores aproveitados pelos clubes da divisão de elite do Estadual. A FAF garante que se os dirigentes dos times profissionais tivessem interesse encontrariam bons reforços nas seleções dos municípios.

“É uma competição que reúne 1.800 jogadores. Neste ano, apesar de ser Sub-19, liberamos para cada seleção ter jogadores com idade até Sub-23. Em 25 anos da Copa, revelamos muitos jogadores, mas infelizmente, os clubes não buscam mais. Não é possível que de 100 atletas, três ou cinco não serviriam para os times?”, indagou Tomaz.

Em oposição aos gastos da FAF na Copa dos Rios, dirigente de clubes da Série A do Amazonense cobram investimentos da federação para o Estadual. O presidente do Manaus FC, Giovanni Silva, citou a força do cartola da FAF com as ligas do interior.

“Como os votos têm o mesmo peso para clubes e ligas, isso só vai mudar quando alterarem o estatuto da federação, dando um poder maior para os clubes federados, nas eleições. Como os clubes terão forças diante 46 ligas?”, disse Silva.

O dirigente do Gavião do Norte afirmou que jogadores da Copa dos Rios carregam vícios do futebol amador e não conseguem se firmar em clubes da profissionais. “São jogadores que não têm fundamentos do futebol e causam transtornos, como aconteceu no São Raimundo, neste ano. O clube usou atletas da Copa (da seleção de Fonte Boa) e foram mal no Estadual e acabaram rebaixados”, declarou.

O presidente da Associação dos Clubes Profissionais do Amazonas (Acpea), Cláudio Nobre, acredita que os investimentos da FAF poderiam ser divididos igualmente para as competições amadoras e profissionais. Ele não vê sobrevivência dos times sem o apoio do poder público e iniciativa privada.

“Os mesmos custos que usam para a Copa dos Rios poderiam servir para o Estadual. Afinal de contas, a ajuda (de R$ 75 mil mensais) que a CBF manda para a federação é por causa do futebol profissional”, criticou Nobre, que também é vice-presidente do Fast Clube.

Representante na Série D sofre sem apoio da FAF

Único clube do Amazonas ainda na Série D do Brasileiro, o Princesa do Solimões, de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus), reclama do abandono da FAF. A isenção nos custos da arbitragem no Amazonense seria uma alternativa, conforme o presidente do Tubarão, Modesto Alexandre.

“A federação precisa nos ajudar (financeiramente). No Estadual, por exemplo, mandaram um ‘bandeirinha’ de Itacoatiara (a 176 quilômetros da capital) invés de um município mais próximo, como Iranduba, para apitar em Manacapuru para eu pagar. O que custava a FAF pagar a arbitragem? Ou a metade dela”, disse Alexandre.

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Fonte: http://d24am.com/esportes/futebol/amador-tem-premio-profissional-e-dividas-acumuladas/

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