Em Manaus, os poucos orelhões que existem estão quase sempre danificados (Foto: Sandro Pereira)

Manaus – Já passou pelo uso da ficha, do cartão telefônico e agora realiza ligações gratuitas para telefonia fixa, mas é difícil encontrar um dos 7.700 instalados na capital funcionando. Em média, conforme a empresa de telefonia OI, cerca de 70 telefones públicos – os orelhões – foram danificados por atos de vandalismo nos seis primeiros meses de 2017.

Em todo o Estado, 15 mil orelhões estão instalados e cerca de 4% (600) deles, de acordo com a operadora, foram afetados nesse primeiro semestre. Segundo o Decreto Presidencial n° 7512, de 30 de junho de 2011, a capital ainda possui uma carência de, pelo menos, 600 orelhões, conforme o número de habitantes.

Atualmente, cerca de 68,2% dos orelhões da OI não geram chamadas tarifada, ou seja, pagas. Ainda conforme a operadora, por volta de 29,9% dos telefones públicos não são sequer utilizados pela população no Estado.

Cadê o cartão?

Para quem precisa utilizar o telefone para uma ligação tarifada outro problema é encontrar um cartão telefônico à venda. Segundo a OI, cartões podem ser encontrados nos mais diversos estabelecimentos comerciais, de bancas de revista, armarinhos, farmácias à papelarias. Mas não foi essa a realidade que a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) encontrou durante a apuração da reportagem. Nenhum dos pontos pesquisados foi encontrado um cartão telefônico à venda.

A RDC questionou a operadora sobre o número de pontos de vendas dos cartões para ligações tarifadas, mas a OI não forneceu a informação, até o fechamento desta edição.

Na zona norte de Manaus, na Avenida Noel Nutels, uma das mais movimentadas do bairro Cidade Nova, os trabalhadores de uma drogaria afirmam que, toda semana, pelo menos uma pessoa procura no comércio um cartão telefônico.

“Há uns seis meses vinha mais gente procurar por cartão, agora diminuiu. Mas toda semana tem ainda, principalmente os mais idosos, ou pessoas que não tem celular”, disse o repositor de mercadorias da drogaria, Filipe Souza, 25.

Ainda segundo o repositor, os próprios funcionários costumam utilizar o aparelho para ligações de 0800, geralmente impossibilitadas de fazer via telefone celular.

“Tem momentos que a gente precisa de um orelhão, quando descarrega o celular, por exemplo. Eu já passei por uma situação dessas e foi bem constrangedor. A gente ter que pedir o celular de outra pessoa nesses momentos para resolver alguma emergência é ruim. Se eu tivesse um orelhão próximo de mim naquela hora – que funcionasse, claro – com certeza ia preferir o orelhão”, disse Souza.

Plano Geral de Metas

No Amazonas, assim como em todo o território nacional, a instalação de Terminais de Uso Público (TUPs), conhecidos como orelhões, atende às disposições constantes no Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU), que segundo o decreto prevê que as concessionárias do serviço de telefonia devem ativar, por município, uma quantidade igual ou superior a quatro orelhões a cada mil habitantes. O que não ocorre na capital, onde a deficiência é de cerca de 600 TUPs.

Anualmente, a OI diz que investe, em média, R$ 300 milhões para manter sua planta de orelhões em todo o País. E o serviço gera receita de cerca R$ 20 milhões por ano, causando prejuízo à empresa.

População desconhece chamadas gratuitas para telefones fixos

A empresa de telefonia OI afirmou que cumpre as determinações da Agência Nacional de Telefonia (Anatel) de conceder a gratuidade em chamadas locais e de longa distância nacional para telefones fixos, feitas a partir de sua rede de telefonia pública no Amazonas. No entanto, nem todos possuem conhecimento sobre a gratuidade.

Esse é o caso da dona de casa Rosiene Pimenta, 40, que afirmou desconhecer totalmente o serviço realizado sem custos. “Eu não sabia disso. Disso eles nem fazem propaganda né? Eu acho ótimo que seja assim porque, às vezes, é uma emergência, onde a gente não tem onde ligar. Mas pra mim, eu achava que eles nem funcionavam mais, sabia? Mas é bom ter uma segunda opção”, afirmou.

Para a vendedora ambulante Fabrícia Antônia Gonçalves, 44, os telefones não fazem falta. Na rua onde a vendedora mora, no bairro do Coroado, na zona leste de Manaus, existe um aparelho, mas conforme Fabrícia somente as crianças e adolescentes utilizam o orelhão para passar trotes em outras residências e comércios.

De acordo com a OI, os danos causado aos telefones públicos podem afetar o contato da população com serviços públicos essenciais, como hospitais, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar.

Na visão da empresa telefônica, a inutilização dos orelhões faz parte de uma migração do consumo de serviço de telefonia fixa – tanto nas residências e empresas quantos nos acessos aos aparelhos públicos – para o uso dos telefones celulares. “Faz parte da evolução da telefonia em todo o mundo, inclusive no Brasil e provocou uma queda acentuada na utilização”, justificou a empresa.

De acordo com a OI, existe um investimento “constantemente” em estudos da planta telefônica nos municípios e, quando é verificada inatividade de alguns telefones públicos, os aparelhos podem ser transferidos para áreas com maior demanda. “A OI esclarece ainda que mantém um programa permanente de manutenção de seus telefones públicos e conta com as solicitações de reparo enviadas à companhia pelo canal de atendimento 10331 por consumidores e por entidades públicas”, comunicou a empresa.

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Fonte: http://d24am.com/amazonas/600-orelhoes-foram-danificados-em-6-meses-em-manaus/

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